Língua da Sogra

Por Carolina - junho 11, 2020

cacto - língua da sogra - tropa do batom

Olá gajas boas!

Hoje venho aqui partilhar, no sentido de tentar perceber o sentimento que sinto em relação à mãe do meu namorado/ parceiro.

Considero-me uma pessoa calma, paciente e que gosta de viver num ambiente harmonioso. Gosto de "praticar" o bem mesmo que por vezes não seja retribuído, porque pelo menos sinto-me de consciência tranquila. Na verdade, não vejo o 'bem' ou a vantagem em praticar o mal, ou pelo menos de o praticar para gozo próprio.

Não sei se existe karma ou não, como diz o ditado espanhol "yo no creo em brujas, pero que las hay, hay!" e se o karma procurar alguém para fazer o seu propósito, não tem por onde pegar comigo. 

A quarentena tem sido boa para muitos e menos boa para outros mas com certeza um desafio para todos. Apercebemo-nos de novas dinâmicas que existem à nossa volta e que num ambiente A.C. (antes do covid 19) não nos dávamos conta, porque as rotinas e modo de vida eram outros.

Eu moro na mesma vila que a mãe do meu mais que tudo, para todos os efeitos vou chamá-la de Sogra.

Mudámo-nos para aqui há dois anos e estamos de malas aviadas para a próxima casa em Junho. Apesar da minha sogra nos querer aqui, percebo que seja conveniente e o meu xuxu é filho único.

Tendo em conta que é de uma nacionalidade/ cultura bem mais fria que a nossa eu respeito a "distância" e o facto também de ter tido uma vida difícil. Acabo por aceitar muito dos comportamentos que tem, mas vou-vos contar 4 episódios que me fizeram passá-la de Sweet Yvone para Sogra.

1 - Despejo

Tudo começou quando a minha sogra, aqui há uns anos, pediu ao filho para sair de casa para dar guarida ao marido de uma conhecida que estava a passar por uma separação. O meu namorado estava em casa da mãe à espera que as obras na casa nova dele terminassem. Claro que pôde vir para minha casa, eu sempre tive as postas abertas. E veio, e saímos juntos, uns meses mais tarde para morar na casa nova. Mas ser despejado por um marido de uma conhecida. Falta-me aqui um bom senso de estabelecimento de prioridades. 

Esse marido da conhecida, concerteza teria família, amigos que o pudessem ajudar. Eu se fosse a conhecida, na verdade, ficava piúrsa com esta situação. 

São atitudes que revelam algo sobre um carácter.
Enquanto esta pessoa morou na casa da Sogra houve pouco contacto connosco.
Enfim passou-se. Esta pessoa bazou um ano e tal depois e tudo voltou ao normal.

2 - Homeless

Ja vos tinha dito que estamos a preparar-nos para mudar de casa em Junho, mas por causa do Covid, é tudo muito incerto com as empresas de mudanças e burocracias. Não compramos outra casa entretanto, porque decidimos alugar para ter tempo de procurar sem pressões de compradores. Entretanto, a Sogra ofereceu-se para nos mudarmos para a sua casa. Achei uma excelente ideia, por uns meses (não muitos), poupávamos dinheiro e tínhamos tempo para procurar algo ideal, quem sabe Portugal.

A semana passada tivemos a notícia que afinal não dá para irmos lá para casa, mesmo à beira de fazermos a escritura, porque a Sogra tem mais de 65 anos e pode ter complicações por ser de risco de acordo com o médico. Confesso que há males que vêm por bem: eu em layoff, o meu namorado em layoff, tudo numa casa de dois quartos a fritar o miolo, não seria ideal. Mas também nos deu a notícia que teríamos de alugar e encontrar algo a tempo, depois de eu saber que na minha empresa iriam fazer 40 despedimentos. Foi no ponto!!

3 - Jantar

O isolamento social não impede a Sogra de vir jantar cá a casa, claro nada de abraços ou beijinhos (beijinhos nunca há claro) e sempre com distância de mais de 2 m quando eu vou buscar a comida à cozinha; 1 m na mesa e 50cm caso seja necessário qualquer interação mais próxima ... 

Combinamos BBQ estava um tempo espectacular, combinamos às 18h, o petisco foram hambúrgueres caseiros (imaginem um bom peixe) feitos por mim, uma bela duma sangria, feita por mim tb, e uma salada de frutas divinal. Adorou!

Mexeu uma palha para ajudar? Não.  Mas reclamou que uma das janela tinha folhas e teias de aranha do lado de fora, se eu não limpava...

Às 19h30 estava a ir para casa de barriga cheia e consolada com o meu carro, porque pediu ao filho para deixar o carro dela aqui, para ele o lavar.


E, é assim que se ganha um distintivo de Sogra. Sendo querida muitas das vezes, mas não estando presente para quando se precisa, tendo pouca sensibilidade, confusão nas prioridades e também lata de testar limites das pessoas mais próximas. Ê preciso ter tido uma vida amarga, isto é, ter tido maus exemplos, más experiências, ter sido mal amada - para não perceber que determinadas acções não são aceitáveis.

Para mim, era coisa que os meus pais nunca me fariam, felizmente. E eu não tenciono fazer a ninguém! Na volta talvez, se um dia for Sogra... :)

Obrigada por lerem.

Adorava saber as vossas histórias mesmo que boas, claro!

Beijos
Carolina
xx

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5 comentários

  1. Uau!!! O loved the post ♥️
    Amei a postagem ,estou seguindo 😉.

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  2. Carolina,

    Como eu te compreendo! Há uns dias, sugeri (acho que foi à Maria) falar aqui do pós parto, com as sogras a sacarem os bebes dos nossos braços...

    As minhas histórias não são boas. Estão resolvidas porque cortei relações. Acabaram-se as discussões cá em casa, o meu casamento ganhou harmonia e... ainda dura (contra a vontade da sogra!).

    Beijinhos
    Liliana

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    Respostas
    1. Liliana, obrigada por leres. Isto das sogras... será ciúmes? Será que tem medo de perder o filho? É concerteza insegurança. Mas eu acho k ficava contente se o meu filho tivesse alguém que o tratasse bem e deixava-o voar... mas enfim... beijinhos

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    2. São mesmo ciúmes, Carolina.
      E também a ideia de que nenhuma mulher saberá tratar e compreender os seus filhos melhor do que elas.
      Eu ando animadíssima porque o Filhote está… apaixonado!
      Espero nunca vir a ser "sogra"!

      Beijinhos
      Liliana

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