Estou grávida, sou fumadora e agora? Parte I

Por Maria - abril 12, 2020

grávida e fumadora - tropa do batom

Ora está aqui está um assunto que tenho a certeza que vai gerar muita polémica... É um tema, sem dúvida muito delicado e sugerido por uma seguidora nossa...

Quando recebemos o mail da Maria soubemos logo que teria de ser eu a escrever este post. Vou explicar-vos porquê...

Tenho 40 anos e 2 filhas (Júlia e Clara) e tive 2 gravidezes completamente diferentes... Esta última gravidez, da Clara, foi de risco, não só pela idade (36/37 anos) mas por outras situações que ocorreram (erros médicos e afins). Devo de dizer que não fumei durante a gravidez da Clara, porque quando engravidei só fumava "socialmente", SG crava, como costumávamos dizer. E a grande verdade é que esse problema não se pôs, pois também  não sentia vontade. Mas deixem-me falar-vos  da minha primeira gravidez, a da Júlia, esta sim, foi bastante diferente neste aspecto.

Tinha 30 anos quando engravidei e na altura era uma fumadora bastante activa, um maço dava-me para um dia, máximo dia e meio. O tabaco sempre foi um motivo de discórdia e de zangas com o meu companheiro, ele sempre foi todo anti-tabagismo, mas no meio de desacordos sempre respeitámos o espaço e a vontade de cada um... Mas comigo grávida, com um filho dele também na barriga, como gerir isso? Nada fácil   digo-vos já.

Logo que soube que estava grávida, mesmo antes de consultar o médico sobre esta temática senti-me logo "impedida" de fumar à frente dele. Confesso que não falámos sobre isso, pois eu já sabia que para ele era inconcebível tal acto e nem tive vontade de contrapor e até acho que pensava que ia conseguir passar a gravidez sem fumar...

Quando fomos ao meu médico de família, ele foi imperativo: Nada de álcool nem nada de tabaco... Ora, para o futuro papá, isto foi música para os seus ouvidos, e apesar de nunca ter gostado daquele médico, rapidamente se uniu a ele como se ele fosse Deus na terra e o que ele dissesse era lei. Logo aí percebi: esta vai ser uma luta difícil...

Aos não fumadores percebo a confusão que possa fazer. -- uma mãe estar a"prejudicar" deliberadamente o seu filho ainda por nascer... E a famosa frase, ele não pediu para nascer... Eu sei! Nós sabemos...-- Mas e os efeitos negativos que a abstenção do tabaco poderá trazer? Também não serão prejudiciais? Até quantos cigarros é seguro fumar sem prejudicar o bebé? São tantas as questões quer morais quer a nível científico que são difíceis de responder... e que até entre os profissionais geram polémica...

Por exemplo, nessa mesma consulta a que fui e onde o médico disse para não beber nem fumar a enfermeira disse que podia beber um copinho de vinho tinto de vez em quando e que poderia fumar até 5 cigarros por dia, pois só a partir do 5º é que chegaria ao bebé, e, além disso, os efeitos da ansiedade que iria sentir devido à abstinência também não seriam saudáveis para o bebé.
Pois é, e nisto no que é que ficamos?

No meu caso, o que fiz foi reduzir o consumo diário de cigarros... por média 3, nunca mais do que 5...e havia dias em que não fumava... Mas tinha muita, muita vontade... Só mesmo quando ela nasceu é que essa vontade desapareceu e deixei de pensar em tabaco.

Na minha perspectiva cada grávida é uma grávida... Há quem consiga deixar imediatamente, sem qualquer tipo de stress ou ansiedade, mas para a maior parte das pessoas acabar com um vício de um dia para o outro não é nada fácil. Por isso o ideal é deixar de fumar antes de se engravidar... E quando a gravidez chega sem aviso prévio é moderar e tentar diminuir ao máximo...

E para quem está de fora é sempre mais fácil criticar e condenar... Mas a verdade é que ninguém sabe em que condições se encontra a grávida e o seu meio familiar... Se, realmente têm razão e é mesmo capricho da mulher, se ela quer deixar de fumar e não consegue sozinha, se as vossas críticas e recriminações a fazem sentir ainda mais insegura e ansiosa... São tantos os factores e variáveis...

Irei, na continuação deste post - Estou grávida, sou fumadora e agora? Parte II- abordar 2 vivências diferentes, de quem fumou na gravidez e de quem ache que é um acto recriminatório...

Até já

Be happy
Maria

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8 comentários

  1. São as escolhas de cada um, ninguém tem o direito de julgar :)

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    1. Cada caso é um caso... E quem somos nós, não é?

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  2. Talvez fosse daquelas pessoas que api tava o dedo, confesso. Depois de ler este post percebi, perfeitamente, o que quer dizer e consigo compreender :/

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    1. Obrigada... Esse é também o meu objetivo... Tentar dar a entender o outro lado da nossa opinião.

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  3. Caí aqui de pára quedas!!!

    Sem me alongar muito: fumadora, duas gravidezes. Na primeira, deixei de fumar e levei ralhete do médico e do marido, pois a ansiedade e o stress foram bem piores. Na segunda, reduzi e tive uma gravidez muito mais tranquila.

    Fiquem bem!
    Liliana

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    1. Obrigada Liliana pelo teu testemunho. Realmente só quem passa sabe... Um beijinho grande 😘

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    2. Convido-te a espreitares a parte II deste tema... Sai brevemente 😉

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    3. Vou ficar atenta.
      Bom trabalho!

      Beijinhos
      Liliana

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