Estou grávida, sou fumadora e agora? Parte II

Por Maria - abril 19, 2020

grávida e fumadora - parte 2 - tropa do batom

No seguimento do post anterior e cumprindo a promessa feita irei tentar expor fielmente duas opiniões que se distinguem nesta temática. A do totalmente contra o tabaco na gravidez e uma grávida que fumou na gravidez.

Começo primeiramente por abordar a posição do Rui, a da convicção de que o tabaco é totalmente prejudicial ao bebé, independentemente das alterações daí resultantes. O Rui é um homem não fumador... Mas que acompanhou uma mulher fumadora na gravidez, a sua mulher...

O Rui nunca aceitou bem o cigarro, apesar de toda a família em seu redor fumar, a mãe, o pai, o irmão e posteriormente a sua esposa...

Para ele não há qualquer explicação para uma pessoa fazer mal a si própria, e ainda mais a pagar .   Ele acredita em vícios e até compreende que possam criar dependência física, mas existem forças superiores a isso... O auto-controle, persistência, disciplina, força interior e consciência...

Quando ele soube que ia ser pai foi uma alegria só, uma sensação única. A partir daquele momento sabia que tinha de ser melhor, que ia ser melhor... e que iria fazer de tudo para ser um pai exemplar. Não era um pai picuinhas, nada disso, era um pai que queria proporcionar qualidade de vida ao seu ou sua descendente.

Mas o que ele não compreendia era que a sua parceira não pensasse, pior, não agisse para que assim fosse... O porquê arriscar?

Porquê arriscar que a criança venha com complicações? Porquê arriscar um parto prematuro? Porquê arriscar atraso no crescimento? Porquê arriscar problemas no seu nascimento? E quem sabe mais? Porquê arriscar?

Ele sentia-se impotente.. Por mais que ele discordasse era a mulher que controlava o seu corpo, a sua alimentação, o álcool, o tabagismo... O"corpo é o da mulher, sim, mas o filho também é meu! Eu também tenho o direito de decidir!". E ele por ele estava decidido,  mas não podia ignorar o ponto de vista da esposa e as suas dificuldades e ansiedades...  Era esperar que ela agisse conscientemente e conseguisse conciliar o seu stress com o que era melhor para o bebé.

A Maria é fumadora e foi  ela que nos sugeriu a abordagem deste tema, por isso achei por bem ter uma parte dela neste post.

A Maria fumava cerca de um maço de cigarrilhas por dia e quando engravidou tentou sempre deixar, mas sem sucesso, e entrou "numa espiral de sentimentos e não conseguia deixar, nem por nada, andava todos os dias revoltada e chateada" consigo própria.

Felizmente a Maria contou com o apoio de amigas e também do companheiro (que são tão, tão importantes neste processo). Foi com a amiga que percebeu que não valia a pena remar contra a maré, ou seja, esta amiga ajudou-a a gerir essa culpa e frustração de não conseguir parar de fumar, ela fez-lhe ver que tinha que se aceitar e que "era melhor andar calma e serena e fumar, do que andar stressada e fumar". O marido, apesar de ser também ele fumador, tentou que Maria deixasse, mas sempre a seu lado adoptando uma postura bastante pedagógica e calma.

No decorrer da gravidez mudou para cigarros, mas passou a fumar metade da quantidade e esse passo foi uma vitória para ela.

Como a maioria das grávidas quando fumava a culpa estava sempre presente e o fumar em público era desconcertante, como refere: "(...) fumei algumas vezes e senti algo horrível, uma sensação de repreensão por desconhecidos (...)". E mais culpa sentia...

Nos dias de hoje a sua perspectiva é, provavelmente, a mesma que a maioria das mães fumadoras, a de deixar de fumar antes de se engravidar, como me escreveu e eu sublinho "Se estivesse outra vez nesta situação, tentava deixar de fumar antes de engravidar, nem que fosse preciso recorrer a medição, pois é muito mais difícil deixar quando se está grávida".

Estes são apenas 2 exemplos quer de vivências quer de afirmações e posições face ao tabaco na gravidez. Existem tantos mais... e tantas opiniões distintas e, contudo, também de alguma forma válidas... e por mais perspectivas que hajam a opinião profissional nunca deverá de ser desvalorizada...

Mas  o que pretendo que se retire deste post é que antes de tomarmos a decisão de sermos responsáveis pela vida de um pequeno ser temos que, primeiramente, decidir como o queremos fazer e se o podemos fazer.

Hoje nem quero pensar em fazer algo propositadamente  que prejudique as minhas filhas e o que seria de mim se isso acontecesse... Eu nem imagino... E tu?

 E aos que estão de "fora" não critiquem! Ajudem! Ajudem ao não julgar...

Quero agradecer os valiosos contributos do Rui e da Maria, OBRIGADA.

E convido-vos a dar as vossas opiniões, as vossas experiências e, porque não, também as vossas dúvidas.

 Be happy
 Maria

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2 comentários

  1. Olá Maria,

    Duas visões bem distintas.
    O relato da Maria é muito semelhante à minha vivência.
    Felizes as mulheres fumadoras que têm maridos compreensivos que as apoiam.

    No entanto, conheço alguns homens (e mulheres) como o Rui. Compreendo a posição deles. Já fui não fumadora e, naquela época, também, para mim, era difícil entender o vicio.

    Este é um assunto que pode dar muita discussão. Quem sabe uma "Parte III - O Pós Parto", com a sogra a arrancar-nos os bebés dos braços quando vamos dar de mamar!

    Gostei! Continuem o bom trabalho!

    Beijinhos
    Liliana

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    1. Obrigada Liliana.. gostei muito da tua participação e a tua sugestão para parte III tem todo o sentido.. um assunto a ponderar, sem dúvida.. 😉 beijinhos

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