Viagem para o sucesso?

Por Carolina - março 11, 2020

viagem para o sucesso - relato emigrante - tropa do batom

Dia 7 de Março para mim e um dia especial. Embora só eu o sinta. Foi o dia em que a minha aventura começou no UK.

A minha situação em Portugal, em 2011, era precária. De um dia para o outro, o meu trabalho foi reduzido a metade e foi-me passada a mensagem que “infelizmente, temos que reduzir custos, por isso, tens de fazer metade das horas”, para mim isto significava apenas: - ok, metade do ordenado. Mas era "normal" tendo em conta as condições precárias dos trabalhos sem contrato.

Tendo em conta que, na altura, tinha de pagar casa, carro, já nem falo na comida, porque nesse departamento ia-se a casa dos pais e cabia sempre mais um ou dois - numa casa Portuguesa com certeza, faz-se sempre comida para sobrar, para quem vier ou para o dia seguinte.

Mas, fazendo contas, com dois part-times (eu e o meu namorado na altura) + contas para pagar = bancarrota. Os custos eram muito superiores às entradas de dinheiro.

E com um empurrão do primeiro ministro, na altura, a dizer se tem um curso superior, ponham-se a andar. Eu que tinha acabado de fazer um mestrado em Marketing, achei que seria de bom tom ir a aventura e seguir o conselho do PM e concorri aos programas financiados pela UE, para sair do país.

E… fui aceite, podia escolher qualquer país. Podia ser Espanha… demasiado perto. Podia ser Franca, nunca fui muito boa a francês e tenho lá família (avecs)… não! E Inglaterra, Londres, onde só tinha posto os pés uma tarde, numa escala de 4 horas de uma ida a Praga. Ao menos já tinha visto o Big Ben! E falavam inglês... era peanuts! (pensei eu, que na pratica nao percebia nada deste sotaque inglês europeu).

Achei que Londres era o sítio e comecei a enviar cvs, para ver se alguém me aceitava, enviei 105. Uma empresa respondeu que estava disposta a dar-me um estágio de 6 meses e ofereceram-se a pagar £700 por mês… mais a bolsa. Eu pensei que me tinha saído a sorte grande! Eu ganhava 450 euros (no tal part-time), na verdade, eu estava perante uma decisão/ oferta que me iria mudar a vida 180 graus.

As minhas gajas ficaram contentes e tristes ao mesmo tempo, umas diziam que eu não aguentava mais de 6 meses, outras diziam que eu ja não voltaria a Portugal.

Não é fácil assentar e sentirmo-nos em casa, porque não é casa! É um país completamente diferente, milhentas culturas misturadas. Mas sim, para me ambientar, trouxe a minha bimby, a minha maquininha de café (não podia faltar) e roupa de esquimó, que nunca usei porque aqui não se passa frio.

O cair na realidade de estar sozinha não me afetou. Foi uma euforia espetacular, eu estava tão feliz com esta nova aventura, amei os meus primeiros tempos, foi mesmo um sonho tornado realidade!
Depois vieram as dificuldades, ao fim de 6 meses, o estágio acabou, e eu pensei: “nem pensar que vou para Portugal”. Vou arranjar qualquer coisa, mas não vou voltar a ganhar 450 euros por mês em P|ortugal, foi quase fugir, como o diabo foge da cruz.

Ao fim de 8 anos, com uma vida completamente diferente, a conhecer várias culturas, acaba-se por aprender a respeitar qualquer coisa, mesmo que seja estranha para nós, pode ser muito óbvia e normal para outras pessoas e isso vê-se nas ruas.

Muitos desafios ultrapassados, muitos testes, muita luta sem ter apoio, porque a família e os amigos estão longe. Acho que ainda não estou onde eu gostava de estar. Acho que esta saída da minha vida em Portugal acabou por atrasar planos de família principalmente. Estou onde gostaria de estar financeiramente, mas falta algo.

Good news is ainda vou defo (definitivamente) a tempo!
Valeu a pena? SIM.
Falo-ia outra vez? SIM.
Aprendi muito sobre mim? SIM

Deu-me mais forca? SIM. E compaixão e o não julgar o próximo, e tentar ver sempre diferentes perspectivas em relação a determinada situação.

Tem sido dificil? SIM, mas não mudaria um episódio.

Digamos que aqui sou a “Portuguese Girl” e para as gajas sou a “Bifa”.

Quando penso em voltar, dá-me ansiedade o facto de pensar em ficar financeiramente dependente de Portugal, das finanças (nhek), das burocracias, etc. E de não me voltar a integrar, pois eu sou a “bifa”.
Aqui, o verde (country side) dá-me vida e o cinzento tira. A parte financeira faz-me ficar, o coração faz-me voltar.

Mas e um mix de emoções. Eu sei, custa a entender, a mim custa! :) Parece a música do António Variações “estou bem aonde não estou, porque eu só quero ir aonde não vou”. Ja não sou so eu, sou o eu, mais o eu aqui.

Um dia volto, e não está longe! Mas acho que vou ter sempre um pé cá e outro lá, não quero dizer adeus permanentemente ao UK. Já tenho raízes fortes que me fazem chamar a esta ilha um pedaço de Home Sweet Home!

Beijos

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7 comentários

  1. Eu acho que um desafio destes é sempre uma aprendizagem gigantesca!

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    1. Não sei se as palavras o transmitem bem, mas sim, uma aprendizagem enorme! Obrigada pelo teu comentario. xx

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  2. Para quem tem um coração grande... Tem-se braços abertos para ser recebida em todo o lado. Aqui em Portugal os nossos braços serão sempre gigantescos para ti... Sejam em férias, sejam para ficares... �� Sempre e para sempre...

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    1. Obrigada Maria querida! Eu sei, mas é bom o reforço. Obrigada pelo teu apoio contínuo!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Perguntinha: quais os programas a que te candidataste para sair do país? Recordas nomes, links..? Mails?

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    1. Ola Raven, na altura foi o Leonardo da Vinci, acho que ainda esta ativo. Dá uma vista de olhos nos seguintes links:
      - http://cdp.portodigital.pt/estagios/programas-de-estagios-internacionais-1/programa-leonardo-da-vinci-b7-medida-mobilidade
      - http://www.proalv.pt/?s=leonardo+da+vinci
      Tu gostavas de sair na era? xx

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