Ser mulher é...

Por Maria - março 03, 2020

ser mulher - dia da mulher - tropa do batom

Recentemente fomos contactadas por um canal da televisão portuguesa para irmos falar sobre um post nosso... Mais precisamente a Anouk sobre o seu post de não querer ter filhos...

Foi muito gratificante para todas nós e motivo de orgulho, e foi com muita pena que tivemos que recusar..

O intuito desta participação seria para perceber que tipos de problemas e obstáculos é que as mulheres ainda se deparam em pleno século XXI.

Ora, foi algo que me fez pensar... Sei que a maioria dos indivíduos são escravos da sociedade e de certos parâmetros por ela definidos..  mas e a mulher? Até que ponto é refém de anos e anos de tradições e de uma educação de serventia à família?

Sempre fui uma pessoa super independente e habituada a desenrascar-me sozinha e a não depender de ninguém... mas tive como base familiar uma estrutura tradicional de família..  em que as tarefas domésticas estão todas a cargo da mulher, mesmo mantendo um trabalho externo.

Nunca me passou pela cabeça depender de ninguém, mas a verdade é que essa vivência que tive na minha infância influência a minha vida..

Felizmente tenho um homem ao meu lado que também é super autónomo na vida doméstica e familiar... Mas confesso que raramente o deixo chegar-se à frente, e se isso por acaso acontece fico com sentimento de culpa... Por ter sido ele a fazer e não eu... E quando tomo a iniciativa de ser eu a fazer, fico fula por não ter tempo para mim e danada com ele por ele ter esse tempo. Eu sei!!! É de doida!

Mas com isto quero eu salientar a forma como a mulher é vista e se quer ver na sociedade... Somos bombardeadas constantemente com ideais de Mulher, das mais variadas formas, até  em meros anúncios da TV em que a mulher/mãe  está sempre perfeita, arranjada, pintada, penteada, silhueta invejável e que transmite um estado de calma invejável (aquela mãe nunca irá perder o controle com os filhos) e para além de tudo isso, a relação com o marido é perfeita!

NÃO ME LIXEM!!! O dia tem 24 horas, correcto? Então vamos lá:
Trabalho, cerca de 9/10 horas com deslocação;
Temos de ter corpo tratado, mais 2 horas de ginásio;
Os filhos necessitam de ajuda nos trabalhos de casa, assim como tempo de brincadeira em família - mais 2 horas e mais 1 hora caso tenham alguma actividade;
As famosas lides domésticas, onde vou já incluir as refeições, mais 2 horas;

Vamos em quantas horas? Cerca de 17 h, mas ainda falta o tempo de casal... Pois já dizia o outro: uma Lady na mesa uma louca na cama... Pois é... E quanto temos de sono de beleza? Dizem que devemos de dormir cerca de 8 horas para o nosso corpo recuperar... Pois, pois...  E gostos nossos, talvez ler um livro? Ver um filme? Estar com as amigas?Simplesmente só estar só nós... Sem pressões de perfeccionismo... Há tempo?

Tarefa difícil esta, a de ser mulher nos dias de hoje...

Dou a mão à palmatória..  sou uma das que quer ser perfeita, mesmo sabendo que não é condição à minha felicidade..  acho que deve de estar relacionado com o sentimento de pertença.. o de pertencer a algo e de ser reconhecida...

Tenho consciência disso e no entanto continuo a tentar ser perfeita... E tentar fazer e ser tudo... Boa dona de casa, boa profissional, boa amiga, boa esposa, boa mãe..  mulher exemplar..

Não quero falhar.. e sei que sou eu que me pressiono a tal...  É uma dualidade de sentimentos estranha... Sei que estou a proceder mal e, no entanto não consigo parar...

Eu sei:
Não temos de ser perfeitas para sermos felizes... Não temos de agradar aos outros... Temos de nos agradar a nós...

Eu sei!

BE Happy
    Maria

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5 comentários

  1. Acho, sem ironia, acho mesmo que poderias pensar num apoio psicológico só mesmo para trabalhar esse sentimento de culpa. Compreendendo-o e eliminando-o, pode ser que comeces a delegar funções mais abertamente e te alivie.

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    1. Obrigada pelo conselho, mas eu sei a origem.. e esta procura da perfeição e do conceito de super Mulher, penso que poderá atingir directa e/ou indiretamente muitas mulheres.. sejam quais forem as suas histórias pessoais...

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    2. Claro que sim. Tens toda a razão. Mas daí a importancia do que referi. Saber a origem dos nossos traumas / medos / frustrações não significa saber resolvê-los. Se assim fosse, já não exisitiriam. Simplesmente.
      Eu tenho mooooooontes, quiloooooos de bloqueios emocionais (também sei perfeitamente a origem). E além disse dei por mim a pressionar-me enquanto filha; não sabia o que fazer com a minha mãe, como lidar com ela. E procurei, após muita resistencia, ajuda especializada. Foi o melhor que fiz! Não eliminei sentimentos de culpa e bloqueios em 24h mas reduziu bastante e continuo a trabalhar nisso. Beijinho

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  2. Tens toda a razão.. o saber a origem é um grande passo mas nem sempre traz a solução... Uma visão e verdade importante... obrigada 🤔

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