Maldita cocaína! - drogas e depressões (Parte I)

Por Carolina - dezembro 12, 2019

cocaína - tropa do batom

Eu sempre fui muito ingénua em relação a drogas, isto é, para mim as drogas nunca fizeram parte do meu dia a dia, mês a mês ou ano a ano. Tinha uma amiga que gostava de fumar cannabis, eu ainda tentei, mas não me deu pica nenhuma, acho que nem senti nada e como era mau para a saúde, achei que não devia insistir. Depois tive um namorado que gostava de fumar cannabis, mas esporádico, porque era caro.

Anos mais tarde, quando fui a Amesterdão, armada em 'cool' comi um queque de cannabis - era óptimo, sabia a chocolate, tipo brownie, delicioso! 30 minutos depois de comer o belo do bolo... Uiiiiiiii... Andei por Amesterdão 2 horas que pareceram 10 minutos, pensava que estava na Praça da Figueira em Lisboa, fora os 30 minutos que demorei a lavar os dentes (desperdício de água).
Isto durou uns 3 dias. Eu acho que fui trabalhar com a moca, 3 dias depois, eu pensava que era crónico, que ia ficar assim, maluca, para sempre. Entenda-se por maluca o facto de ter as sensações alteradas, como tipo se quiséssemos mexer os dedos das mãos, mas em vez dos das mãos os dos pés é que mexiam, um descontrolo esquisito - not cool!

Diga-se que se eu gostasse de drogas era excelente, porque aquele bolo teve 100% efeito em mim, excedeu completamente as expectativas! Eu detestei! Drogas decididamente não são para mim, a falta de controlo, o sentir-me completamente fora, não é algo que me atraia. Ou qualquer outra coisa que crie vícios, comigo, felizmente, não pega! Isto é para resumir a minha relação com drogas.

O meu actual namorado/ parceiro, ao contrário de mim, teve uma infância difícil, com problemas em casa, família desestruturada, no fundo, falta de atenção e amor. Acabou por ter necessidade de sair do seu 'ego' e experimentar não ser ele. Porque o facto de não ser ele, significava que não teria de lidar com os problemas e responsabilidades que o rodeavam. Então, desde o álcool, ás drogas que foram de fácil alcance e continuaram uma constante desde os 16 anos. Ele disse-me no outro dia, que desde essa altura (quase 20 anos depois) era a primeira vez que estava sóbrio sem qualquer substância no corpo.

Nos 4 anos em que temos estado juntos, tem havido muita adaptação, paciência, muita investigação e aprendizagem, de ambas as partes. Para tentar perceber esta pessoa, que nem a si própria se conhecia: quais as necessidades, motivações, o que faz rir, o que faz chorar, quais as prioridades, que rumo levamos, para a esquerda, para a direita, na verdade, perceber tudo o que o faz mover para a frente e alcançar os seus objectivos. Acaba por ser uma maturidade emocional com ânsia de colo, num corpo maduro.

Foi necessário a intervenção de um psicólogo para ele se encontrar, e perceber no novelo onde estava, porque 20 anos adormecidos, e a vida a acontecer ao lado...

Quando se acorda deve ser estranho, e mais estranho ainda é depois ter de voltar à vida, à mesma vida mas evoluções e desenvolvimentos... Tanta coisa que ele deve ter passado e não aproveitado, não explorado, não vivido, não aprendido, não apreciado, o não ficar triste, nem contente, o simplesmente não sentir. Deve ter sido um tanto faz, um mais ou menos, o entusiasmo vinha com a droga (seja o que fosse), mas é assim que vejo a vida desta pessoa, que hoje se arrepende de ter andado tanto tempo adormecido a não querer acordar da própria vida,  que não era fácil, mas era a dele.
Acabou por vivê-la vazia por algum tempo. Foi uma escolha, seria a vossa?


(continua... vê a parte II também :)

  • Partilha:

Poderás também gostar

1 Comentários:

  1. Primeiro, quero dizer-te que te admiro. Desde a minha visão como mulher, como esposa e como assistente social.
    O meu marido também teve um passado com drogas. Deixou-as à 8 anos. É mexicano, familia desestruturada e no México tudo está à mão. Mas sei que infelizmente, a maioria das pessoas não teria a tua maturidade, amor e compreensão. Até na minha profissão, vejo frequentemente os olhares de nojo e julgamento para com quem é consumidor. Já eu partilho da máxima "Se nunca experimentei, não sei como seja... não poso dar palpites!".
    O teu marido tem muita, muita sorte por ter-te encontrado. E tu certamente sabes amar como ninguém!
    Força! Beijinho

    ResponderEliminar